O Estado de São Paulo

Data: 25 de outubro de 2002

 

Depois do check-up, aula de culinária

 

Todo paciente que faz um check-up no Hospital Albert Einstein recebe um convite para participar pessoalmente, mandar a mulher ou, dependendo do caso, a cozinheira, para uma aula na oficina de nutrição do hospital, subordinada aos temas alimentação diet e light, alimentação e diabete, alimentação e obesidade ou sanduíches de baixas calorias. Essa é a maneira mais prática que foi encontrada para mudar os hábitos alimentares de quem tem hipertensão, colesterol acima do desejável ou está obeso, segundo a coordenadora do programa, a nutricionista Rosana Raele.
Ela inicia todas as aulas explicando que a comida dietética não é insossa, que se pode fazer regime sem abandonar o prazer de comer e não é passando fome que uma pessoa se torna mais magra e saudável. Antes mesmo de começar a preparar as receitas dietéticas, que os alunos degustam no fim da aula, a professora Flora Spolidoro dá algumas dicas para quem precisa modificar os hábitos alimentares. “Primeiramente, o prato deve ser extremamente colorido, pois a variedade de cores em uma salada, por exemplo, indica que estamos ingerindo alimentos suficientemente diferentes, para que o organismo possa encontrar todos os nutrientes, vitaminas e sais minerais de que precisa.”
A segunda dica é disponibilizar alimentos saudáveis na geladeira, pois se uma criança obesa ou um executivo na faixa de risco de enfarte sente fome – e não encontra algo saudável para comer – vai mastigar meio pacote de biscoito, fazer pipoca no microondas ou então abrir uma embalagem de salgadinhos. Se houver, porém, uma gelatina pronta na geladeira, um bom estoque de frutas em casa e muitos produtos com o selo de aprovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia , aveia, suco de frutas, requeijão light ou iogurte desnatado, é possível aplacar a fome sem quebrar a dieta.

 

As outras recomendações são comer com maior freqüência, fazendo lanches, para não deixar crescer aquela sensação de fome avassaladora e usar temperos alternativos, como gergelim moído, que dá o paladar salgado sem o sódio do sal tradicional, que eleva a pressão. Também não se deve vetar nenhum alimento, nem mesmo a pizza de vez em quando, e substituir gorduras como o creme de leite por um produto semelhante.
Leite – A receita é simples: usar leite em pó desnatado com metade da diluição recomendada na lata, 12 colheres de sopa, por exemplo, em vez de seis, para meio litro de água, e deixar o leite em banho-maria para engrossar lentamente, até atingir a consistência do creme de leite. Para quem não acredita no resultado, Flora oferece a degustação de um estrogonofe de frango, com apenas 145 calorias por porção.
Rosana Raele explica que todos que chegam à oficina de nutrição passam por uma consulta nutricional, para avaliação do que comem. Em seguida, ocorre o cálculo de gordura corporal, que deve corresponder a algo entre 18% e 24% do peso total para o homem, e entre 24% e 30% para a mulher, segundo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A maior prova de que o brasileiro está engordando é que 70% dos homens examinados na oficina estão acima da porcentagem ideal.
As aulas são ministradas na Unidade Diagnóstica do Einstein, localizada na Avenida Brasil, 953. O número máximo de alunos é de oito por classe e, para quem precisa ter uma alimentação dietética, mas não tem como cozinhar em casa, fica possível comprar os pratos apresentados na oficina de nutrição na Condieta, empresa que tem como sócias algumas das professoras do curso.
Doces – Entre as ofertas de congelados há pratos dietéticos para gordo nenhum colocar defeito, como tortinha de maçã, doce de abóbora, bananada, linguado com molho de camarão, peru à l’orange, medalhão ao molho bernaise, filé Manhattan, estrogonofe, nhoque à italiana, panqueca de cenoura, truta com molho de nozes, sopa de queijo, frango com maçã ao curry, palmito à provençal e torta de espinafre.